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Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2005

- A limantria em Portugal

A lagarta do sobreiro é um lepidóptero desfolhador da família Lymantriidae.
A limantria é um insecto muito polífago que afecta cerca de 500 espécies de 73 famílias diferentes (Lance, 1983; Eiebhold et al., 1995).

Distribui-se por toda Europa, Norte de Africa, Médio Oriente até à China e Japão. Foi introduzida acidentalmente em 1869 nos Estados Unidos da América por um naturalista francês, que pretendia cruza-la com o bicho da seda (Bombyx mori L.) para produzir seda (Coulson e Witter, 1984).
Hoje é uma das principais pragas nos Estados Unidos (Cabral e Ferreira,1999), onde se tem vindo a realizar um importante trabalho de investigação.

Os danos são produzidos na fase larvar, que coincide com a primavera, durante a qual o insecto se alimenta das folhas. Como consequência de uma desfolha severa ocorre uma diminuição no crescimento.
No caso do sobreiro, como já foi dito, são também afectadas as produções de cortiça e de bolotas.

A limantria possui um marcado dimorfismo sexual em tamanho e em morfologia.
A limantria fêmea adulta é uma borboleta com uma envergadura de asas de entre 45-65 cm. Tem um corpo grande e volumoso, recoberto de uma pilosidade alaranjada, de aproximadamente 3 cm de comprimento. Como consequência de este abdómen volumoso e pesado tem dificuldade em voar, deslocando-se preferencialmente caminhando.
As asas são esbranquiçadas com uma mancha escura em forma de “V” nas asas anteriores. As patas são pretas com o fémur recoberto de pelos pretos. As antenas são finamente dentadas.














O macho é menor que a fêmea, tendo uma envergadura de 35-40 cm e um comprimento de 18-20 mm. Tem antenas bipectinadas em forma de pena. As asas são de cor acastanhada, as asas anteriores apresentam umas manchas em forma de zigue-zague. Os machos são voadores podendo chegar a deslocar-se vários kilometros na procura da fêmea.

A postura da limantria é de forma ovada, com aspecto aveludado de cor dourada. Os ovos encontram-se aglutinados e cobertos pelas escamas que a fêmea tem no abdómen. As posturas têm um tamanho variável, entre 250-500 ovos.










As larvas passam por 6 estádios antes de pupar. No primeiro estádio medem 3 mm e são pretas com pelos compridos. No segundo medem 5 mm e começam a mudar ligeiramente de cor, ficando mais acastanhadas. As lagartas têm uma cápsula cefálica preta durante todo o desenvolvimento larvar. A partir do terceiro estádio começam a aparecer umas manchas de cor azul e vermelho no tórax e abdómen e os pelos ficam esbranquiçados.























A crisálida é de cor escura, sendo a das fêmeas de maior tamanho que a dos machos.

A limantria tem um ciclo biológico por ano . Passa o inverno em forma de ovo protegida pelas escamas douradas. A eclosão dos ovos pode variar em função das condições climáticas e da latitude. Sendo mais cedo quanto mais alta for a temperatura, o que esta directamente relacionado com a latitude. As lagartas aparecem mais cedo no sul de Portugal.

Durante a primeira fase não se alimentam, ficam sobre a postura sem comer. É a chamada fase de espelho.

A partir da segunda fase começam a produzir-se os danos, primeiro nas folhas novas, e no fim do desenvolvimento em todas as folhas, podendo produzir-se um desfolha total da árvore.




As lagartas utilizam os fios de seda que produzem para deslocar-se, suspendendo-se dos mesmos e deixando-se levar pelo vento. Podem chegar deste modo a cobrir grandes distancias.

Uma vez completa a fase larvar as lagartas reúnem-se para pupar fazendo-o em pequenos grupos na base dos ramos. Esta fase dura 10-15 dias e começa em Junho. Passado este tempo emergem os adultos, que vivem uns 5 dias, durante os quais acasalam e fazem a postura.

Em Portugal os ataques de limantria estão concentrados em áreas onde o sobreiro encontra condições edafo-climáticas desfavoráveis (Ferreira e Ferreira, 1991). Um dos factores que favorecem a ocorrência da limantria e a existência de anos sucessivos de seca.

Uma característica da dinámica das populaçoes da limantria é a de apresentar gradientes ciclicos: cada 7-9 anos aparece um surto forte, com níveis populacionais muito elevados. Durante esse surto as árvores são fortemente atacadas e desfolhadas originando uma diminuição na qualidade nutritiva das folhas. Esta perda de valor nutritivo por sua vez afecta negativamente as lagartas, originando perda de fertilidade das fêmeas e grandes mortalidade nos ovos, fazendo com que o nível populacional volte a níveis baixos (Coulson e Witter, 1984).

por Jardineiro às 12:38
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